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Portugueses, espanhóis e italianos representaram 40% do saldo migratório


Atualmente, os portugueses na Suíça são 269 mil, representando a terceira maior comunidade estrangeira do país depois dos italianos (313700) e alemães (310700).

Entre 2002 e 2008, cerca de 6600 Portugueses chegaram anualmente à Suíça, alcançando-se um pico de 10000 chegadas em 2003.

Na década anterior, entre 1991 e 2001, a Suíça acolheu cerca de 1100 emigrantes portugueses por ano.

Em 2014, os cidadãos portugueses, espanhóis e italianos representaram 40% do saldo migratório de todos os Estados da UE-27, Liechtenstein, Islândia e Noruega.

Nesse ano, moravam 8236600 pessoas na Suíça, entre as quais 2,4 milhões de imigrantes, equivalentes a 24,3% da população.

Neste relatório da SECO, realizado em conjunto com SEM (Secretaria de Estado das migrações), OFS (Gabinete Federal das Estatísticas) e OFAS (Gabinete das Seguranças Sociais), conclui-se que o balanço da imigração europeia para a economia suíça demonstra que a economia do país está em boa saúde, mas que ainda é muito cedo para ver as consequências da forte imigração destes últimos anos.

Emigração Portuguesa na Suíça

A emigração de portugueses para a Suíça foi, até aos anos 60, muito esporádica e quase sempre confinada aos grupos sociais de maiores rendimentos. A primeira vaga de emigrantes começou nessa década, para suprir necessidades de mão-de-obra nos sectores da Construção Civil, Hotelaria e Agricultura (em 1970 eram cerca de 3.632 portugueses).No final dos anos 70, a Suíça tornou-se numa terra de emigrantes portugueses, nomeadamente para os que regressaram de África . Actualmente, vivem e trabalham na Suíça cerca de 153.000 cidadãos lusos, constituindo a terceira comunidade estrangeira a residir neste país. Ao todo representam 9,5% dos 1,43 milhões de habitantes de nacionalidade estrangeira (não suíça).A emigração portuguesa para a parte alemã da Suíça é mais recente que a emigração para a parte francesa (Suisse Romande). Foi apenas nos anos 90 que uma parte considerável dos emigrantes portugueses se começaram a fixar mais nos cantões com língua oficial alemã. Muitos defendem que este facto se deve ao mercado de trabalho francês, que a dada altura ficou sem oportunidades de emprego para emigrantes e o facto de haver uma certa afinidade linguística entre os dois países, motivou os portugueses a fixarem-se na parte francesa da Suíça.Existe há bastante tempo uma emigração temporária para a parte alemã da Suíça, no entanto esta é residual e deve-se a certas especificidades. Por exemplo no cantão de Grisões, que vive muito do turismo de Inverno e, por isso, há muita emigração portuguesa no ramo da hotelaria e também na construção civil, já antes dos anos 1990. Estes trabalhos nas zonas dos alpes eram muito sazonais, e uma das principais "portas de entrada" no mercado de trabalho Suíço.O facto de muitos portugueses trabalharem com outros portugueses sempre criou algumas dificuldades na adaptação linguística, devido ao facto de existir uma facilidade acrescida em encontrar emprego nos ramos de hotelaria e construção civil, consequentemente trabalhando com portugueses (e brasileiros), pelo que grande parte dos emigrantes não sente a necessidade de falar a língua local no trabalho.Os emigrantes portugueses tiveram, ainda que ao longo dos anos, passar por uma série de privações e enfrentar a xenofobia que existiu durante décadas. Tudo isto serviu para que os que hoje emigram para a Suíça, quando cá chegam, se sintam mais em casa.Há 10 anos atrás, as autorizações de permanência A (que já não existem) apenas permitiam às pessoas estarem no máximo 9 meses na Suíça e o resto dos meses do ano tinham que obrigatoriamente sair. Essas autorizações também não permitiam alugar casa na Suíça, comprar carro ou mudar de cantão e tinham uma série de outras restrições que faziam com que os emigrantes viessem exclusivamente para trabalhar durante aquele período e depois fossem embora. Era o empregador que tinha de fornecer alojamento.Quando as pessoas mudavam para os contratos anuais então conseguiam a permissão B e aí já não existiam tantas limitações. Em 2002, após várias manifestações, os estatutos foram alterados e após um referendo houve a introdução da autorização de permanência temporária L, que já permite ter contrato anual, alugar casa e uma série de outras coisas que o anterior não permitia.Hoje em dia já se começa a ver uma maior abertura por parte do governo Suíço e a palavra "integração" já começa a fazer algum sentido por aqui. Isto também é muito fruto da mentalidade do emigrante português se ter alterado ao longo dos anos. Nas décadas de 80 e 90, o emigrante abdicava de uma vida com dignidade no país de acolhimento, para a ter no seu país de origem, mesmo que não usufruísse desse bem-estar. A qualidade de vida, habitação, mobiliário, gastos com os tempos livres eram propositadamente reduzidas ao mais elementar para amealhar a maior poupança possível.Actualmente esta atitude têm-se alterado, principalmente porque o tipo de emigração e as suas motivações também são diferentes. Os emigrantes começaram a perceber que o objectivo que traçavam demorava a concretizar-se e depois com a chegada dos filhos, o "regressar" teria de ficar para mais tarde. A formação escolar das crianças obrigava a uma certa integração dos pais.Numa primeira fase, eram sobretudo as mulheres quem mais hesitavam e mais travavam o regresso. A mulher sentia que a sua vida havia mudado e seria ela quem mais teria a perder no caso de um regresso a Portugal em plena vida activa. Uma vez atingida a reforma, a família portuguesa regressa a Portugal já sem os filhos, visto que muitos, atingida a idade adulta optavam por ficar nos países de emigração. A família ia unida mas voltava desmembrada, regressando só os pais e já reformados.Passou a ser perfeitamente possível um português, na Suíça, acordar de manhã e ir a um café português, ler o jornal português, almoçar num restaurante português, ir para o emprego com um patrão português e no final do dia ir para casa ver televisão portuguesa. Percebeu-se que é possível viver em Portugal fora de Portugal.A tudo isto, relacionado com emigração portuguesa na Suíça, acresce o facto de a conjectura económica de Portugal ter vindo a degradar-se ao longo dos anos e a da Suíça continuar a prosperar. Actualmente, são os filhos que deixam os pais para trás, em busca de melhores condições de vida. Juntam-se a estes, outra geração que aos 40 e 50 anos deixam as suas origens, porque as empresas, onde trabalharam um vida inteira, fecharam as portas devido à crise e vêm em busca de uma oportunidade que no nosso país não existe.Como diz o velho ditado: 

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades."